A ideia de Limite
Nesta seção, vamos introduzir o conceito de limite de forma intuitiva, a partir da análise de gráficos de funções. Estudaremos os limites laterais (à esquerda e à direita) em pontos determinados. Antes de prosseguir, assista ao vídeo abaixo:
Vídeo "Introdução à Noção de Limites"
Agora, prossiga com o estudo dos exemplos abaixo.
Exemplo 1
Uma panela com água foi colocada no fogo. No início, a água está em temperatura ambiente () e começa a aquecer. No instante em que começa a fervura (), alguém joga um balde de gelo, provocando uma queda brusca da temperatura, até . Poderíamos representar essa situação como no gráfico abaixo.
Depois, a temperatura torna a subir até atingir a temperatura de ebulição, quando se estabiliza.
O que acontece com a temperatura quando o tempo se aproxima de ou ?
Se, antes do instante , fosse possível prever a temperatura em , iríamos dizer que a temperatura seria , já que a temperatura está se aproximando deste valor antes de . Por outro lado, se fosse possível voltar o tempo para trás, e analizar o que acontece com a temperatura quando o tempo volta para , diríamos que a temperatura se aproximaria de
Esta é a primeira noção de limite que temos, e o que está sendo estimado aqui é o limite à esquerda e à direita da temperatura, quando o tempo se aproxima de .
No limite à esquerda, estamos deixando o tempo se aproximar de com valores menores do que (à esquerda de na reta dos números reais) e vendo o que acontece com a temperatura. Se for possível fazer uma previsão, diremos que o limite da temperatura quando tende a pela esquerda é o valor da previsão. Escrevemos
onde é a temperatura dada em função do tempo . Repare no ao lado do , indicando que o limite é à esquerda
Da mesma forma, se aproximamos o tempo de com valores maiores que (à direita de ) e podemos prever que a temperatura se aproxima de um valor, diremos que o o limite de quando tende a pela esquerda é este valor da previsão. Escrevemos
O ao lado do indica que o limite é à direita.
Em qualquer um dos limites acima, à esquerda ou à direita, o valor da função no instante exato não interessa. Se tivéssemos , os limites seriam os mesmos.
Formalmente, dado um valor fixo , de tal maneira que o conjunto está contido no domínio de , analisamos o comportamento de nesse conjunto para calcular ( lê-se: limite de quando tende a , pela esquerda) e (lê-se: limite de quando tende a , pela direita).
O limite à esquerda é verificado analisando o comportamento de em valores de menores que (à esquerda de na reta numérica), e muito próximos de . Analogamente, o limite pela direita é verificado analisando o comportamento de em valores de maiores que (à direita de na reta numérica), e muito próximos de .
Dizemos que o limite quando tende a de existe e é igual ao número real , se ambos os limites laterais existem e valem . Isto é:
Exemplo 2
As figuras ??? e ??? apresentam os gráficos das funções e . Para cada uma das funções, existem os limites laterais em ? O limite existe?

Figura 1: gráfico de

Figura 2: gráfico de
Para , fazendo se aproximar de por valores maiores que , vemos que se aproxima de . Portanto, . Para calcular o limite à esquerda, escolhemos valores menores que cada vez mais próximos de , para concluirmos . Cada um dos limites laterais existe, mas são diferentes. Portanto, não existe . Procedendo de modo análogo para , vemos que existem os limites laterais, e ambos valem . Portanto, .
Exemplo 3
Nesse caso, em , existe o limite à esquerda. O limite à direita não existe em pois, quando se aproxima de pela direita, não se aproxima de nenhum número, na verdade o valor de fica tão grande quanto se queira (dizemos que tende a infinito). Assim, como um dos limites laterais não existe, o limite não existe.

Figura 3: Não Existe o limite à direita em