Continuidade
Nesta seção, veremos o conteúdo do vídeo
Continuidade, disponível neste vídeo
.
Vimos no estudo sobre limites que o limite de algumas funções quando tende a coincide com a imagem da função no ponto . Funções com esta propriedade são ditas contínuas em . A ideia matemática de continuidade é a da própria palavra, ou seja, de um processo contínuo, sem quebras, que não possui mudanças abruptas.
Quando pensamos, por exemplo, em um valor aproximado para , logo vem à mente o valor , afinal, está próximo de 4! Isso é verdade, pois a função raiz quadrada é contínua em seu domínio, se não o fosse, seu valor em poderia estar bem ``longe'' de 2!
Exemplo 1
Considere a função definida por
Como e , o limite não existe. No gráfico da , ao lado, isto representa que há um ``salto'' ou uma ``quebra'' no ponto .
Exemplo 2
Considere a função definida por
Sabemos que . Entretanto, como
, temos que . No gráfico da , ao lado, isto representa que há um ``salto'' ou uma ``quebra'' no ponto .
Definição de Continuidade
Definição 1
(Função contínua) Uma função é contínua em se .
Observe que na definição de continuidade há três aspectos envolvidos:
está definido, isto é, o ponto está no domínio da função
o limite da função em existe
e o limite coincide com o valor que a função assume em , isto é, .
Diremos que é descontínua em se não for contínua em , isso ocorre por dois motivos: o limite da função no ponto não existe ou ele existe, mas é diferente de . Diremos ainda que é contínua em um conjunto se for contínua em todo ponto .
No Exemplo 1, a função é descontínua em e contínua em . De fato, para todo , teremos se e se .
No Exemplo 2, a função é descontínua em e contínua em . De fato, para todo , teremos .
| Se é contínua em , então está próximo de , se estiver suficientemente próximo de . Isto é, tende a quando tende a . Geometricamente, o gráfico de uma função contínua em um ponto não possui quebra em . Quando uma função é contínua em um intervalo, seu gráfico pode ser traçado sem nenhuma quebra, isto é, ``sem tirar o lápis do papel''. |
Se é contínua em , então está próximo de , se estiver suficientemente próximo de . Isto é, tende a quando tende a . Geometricamente, o gráfico de uma função contínua em um ponto não possui quebra em . Quando uma função é contínua em um intervalo, seu gráfico pode ser traçado sem nenhuma quebra, isto é, ``sem tirar o lápis do papel''.
Pensando nos gráficos das funções trigonométricas, vemos que e são contínuas em todo ponto de , já e são contínuas em todo ponto de seus domínios, ou seja, para e e são contínuas em . Outros exemplos de funções contínuas em todos os pontos de seus domínios são função modular, exponencial, logaritmo, raízes, polinômios e funções racionais.
Observação: Há uma pequena variação na forma como alguns autores definem e trabalham com o conceito de descontinuidade. Lembre-se de que nós definimos, alguns parágrafos acima, que a função `` é descontínua em se não for contínua em '', isto é, só definimos descontinuidade em pontos do domínio da função. Assim, por exemplo, com a nossa definição, não faz sentido falar que (e nem perguntar se) ou são contínuas ou descontínuas em , pelo simples fato de que não pertence ao domínio destas funções, que é em ambos os casos. Alguns autores, porém, definiriam que estas funções são descontínuas em ; no caso de , diriam ter uma descontinuidade infinita e, no caso de , uma descontinuidade removível.
Exemplo 3
Vamos verificar a continuidade da função abaixo em .
Vamos então ver, pela definição, se é contínua em :
Assim, como , temos que o limite de existe em e este limite é igual a . Com isso, é contínua em .
Exemplo 4
Vamos verificar a continuidade da função abaixo em .
Vejamos os limites laterais em :
Como os limites laterais são distintos, não existe o limite da quando tende a , portanto a não pode ser contínua em .
Exemplo 5
Vamos verificar a continuidade da função abaixo em e .
Vejamos primeiro os limites laterais quando tende a :
mas esse limite não existe, pois o valor do seno fica oscilando entre -1 e 1 indefinidamente. Portanto, podemos afirmar que a não é contínua em .
Analisando agora quando tende a :
logo a também não pode ser contínua em , pois o limite não existe.
Exemplo 6
Vamos verificar se existe algum valor de , tal que a função abaixo seja contínua em .
Temos
pois pelo Teorema do Anulamento .
logo, para que , precisamos ter .
Exemplo 7
Verificar se existe algum valor de , tal que a função abaixo seja contínua em .
Temos
Como os limites laterais são diferentes, não existe . Assim, não existe nenhum valor real para que torne a contínua em .
Dizemos que a é contínua no intervalo fechado , quando o for em e além disso (continuidade à direita em ) e (continuidade à esquerda em ).
Observação: é contínua em , quando para todo dado, existir , tal que, se , então . Esta é a definição formal de continuidade, decorrente da definição formal de limite.
Teorema 1
Dadas duas funções, e , contínuas em :
- A função soma é contínua em . (A soma de funções contínuas é contínua.)
- A função diferença é contínua em . (A diferença de funções contínuas é contínua.)
- A função produto é contínua em , para todo . (O produto de uma função contínua por uma constante é contínua.)
- A função produto é contínua em . (O produto de funções contínuas é contínua.)
- Se , é contínua em . (O quociente de funções contínuas é contínua, desde que o denominador não se anule.)
Esse resultado é bem conhecido. Sua demonstração decorre das propriedades análogas de limite.
Exemplo 8
A função é contínua em , pois e são contínuas em e para todo . Portanto, pelo Teorema 1, o quociente será uma função contínua em .
Exemplo 9
A função é contínua em . De fato, e são contínuas em , logo pelo Teorema 1, também é. Além disso, é contínua em e para todo , portanto o quociente será uma função contínua em .
Exemplo 10
Determinar os valores de e reais para que a função definida abaixo seja contínua em :
Para , é contínua. O mesmo acontece para , onde e para , onde é a função afim , que é contínua independentemente do valor dos parâmetros e .
Assim, para que seja contínua em , só falta garantir que seja contínua em e , ou seja, que e .
Assim, teremos , logo . Por outro lado,
Assim, teremos , logo , e então .
Note que, como é polinomial para , temos também e .
O próximo Teorema nos diz que ``composta de funções contínuas é contínua''.
Teorema 2
Se é contínua em e é contínua em , então a função , dada por é contínua em .
Exemplo 11
A função definida por é contínua em , pois e são contínuas em .
Exemplo 12
A função definida por é contínua em . Sabemos que é contínua em seu domínio e é contínua em , com isso, será contínua sempre que pertencer ao domínio de , isto é, sempre que . Como , só estará fora de , que é o domínio de , quando , logo , ou seja, . Assim, o domínio de é .